sábado, 17 de novembro de 2012

Um banho


E pela primeira vez depois de tanta confusão, senti-me purificada. Uma purificação concedida pela água, que corria sem timidez por todo o meu eu, como que, com esse movimento, quisesse purificar minha mente, minha alma.
Purificar de que? De todos os tempos difíceis que a gente acha que são difíceis, de todo o mal que eu (supostamente) carregava aos olhos de vários, de íntimos. A verdade é que nós é quem somos difíceis, não as coisas.
Após um tempo, percebi que, de uma certa forma, eu era a água. 
Sintonia. 
Sincronismo.
Era eu que corria.
Era eu que limpava a alma e mente das pessoas.
Era eu que, de acordo com as situações, tinha várias fases, faces... Mas sem perder a essência, sendo sempre a mesma água.
Era eu que era o bem.
E, pensando bem, todo mundo é um pouco ou completo de água.

domingo, 21 de outubro de 2012

Ciclos


Sua vida foi iniciada
Do amor de seus antepassados
Formaram uma casa, um ninho
Um aperto e tantos laços

Veio a luz e então a vida
Aprimoramento diário, aprendizado primário
Transformação de ser em gente
E de gente em ser

Passo a passo, uma nova experiência
A índole foi sendo aos poucos moldada
E onde havia dúvida continuou a haver
Nas entranhas toda uma personalidade chumbada

Vieram então várias pessoas, as amizades
Boas algumas eram, outras não
E por pouco toda a construção
Não desmoronou no chão

Passo a passo, uma nova experiência
A índole foi sendo aos poucos moldada
E onde havia dúvida continuou a haver
Nas entranhas toda uma personalidade chumbada

Veio então, só dessa vez, a pessoa
Só, em busca de companhia
E então tudo o que fazia mal
Foi transformado rapidamente em alegria

Passo a passo, uma nova experiência
A índole foi sendo aos poucos moldada
E onde havia dúvida não havia mais
Nas entranhas toda uma personalidade chumbada

Veio então um amor
Construção, respeito, carinho
E os dois transformaram-se em três
Por fim, seguiram caminho

Passo a passo, uma nova experiência
A índole foi sendo aos poucos moldada
E onde havia dúvida não havia mais
Nas entranhas toda uma personalidade chumbada

Outra vida foi iniciada
Do amor próprio, virando antepassado
Outro ciclo, abrindo-se, renovando-se
Nunca será fechado.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Uma Didática da Invenção

I
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) 0 modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega 
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

IV 
No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para
Dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras 

IX 
Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz.

Hoje eu desenho o cheiro das árvores.

IX
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.


Extraído de "O Livro das Ignorãnças", Manoel de Barros

terça-feira, 28 de agosto de 2012

"A bateria tá pifando."


Senti meus olhos fecharem contra minha vontade...
Resisti.
Consegui trazê-los à realidade que os esperava. Eles caminhavam preguiçosos pela rua, pelos corpos, focos e gestos...
Esmoreci.
Escutei a bateria gritando, pedindo socorro...
Deixei de ouvir.
Fui adiante, algo me pedia isso a todo tempo...
Voltei.
Adormeci.

sábado, 28 de julho de 2012

Se a cordialidade é tanta na hora da campanha, por que não sempre?

Este ano, votarei pela primeira vez e, logo de cara, votarei nulo! Isso mesmo, 007 – James Bond! Vejamos o porquê...
Dia desses fui a determinado local (não vou citar o nome para ninguém pensar que o que aconteceu tem haver com o local) fazer uma visita. Estava chovendo muito. Logo, mesmo com guarda-chuva, estava molhada e desarrumada. Justo nesse dia, estava de farda, calça rasgada e de sandálias Havaianas para não chegar a descolar o meu tênis. O fato é que, ao chegar naquele local, o atual prefeito, Luciano Agra, estava sentado com seus assessores fazendo algum planejamento. Tive vergonha, pois estava desarrumada e O PREFEITO estava ali, mas mesmo assim, entrei e disse como de praxe: “Bom dia!”. O cara simplesmente ignorou, parecia que não havia entrado ninguém ali. Não sei se foi minha roupa ou porque ele estava muito ocupado, mas ele como prefeito de João Pessoa, deveria ter respondido. Isso era o mínimo que ele poderia ter feito! Lembro-me muito bem de quando ele fazia campanha com Ricardo, sorrindo, abraçando pobres sem dente e ricos sem caráter. Se a cordialidade é tanta na hora da campanha, por que não sempre? Eu, estudante de ensino médio, me saí melhor do que ele. Levantei minha cabeça e segui, com o choro entalado na garganta. Ainda tinha esperanças de que algum político fosse mesmo bom e mudasse essa joça!
Voltando ao começo, em que eu disse que meu voto ia ser nulo... Agra apoia Luciano Cartaxo, logo, não vou votar em Luciano. Lembro muito bem dele querendo comprar os votos do pessoal da minha casa com tijolos. Cícero Lucena já fez do que fez e foi o senador mais votado na época qual se candidatara. Existe um ditado que diz assim: “O povo tem o governo que merece!”. Não é esse o governo que eu quero, mesmo sabendo que um dos dois, provavelmente Cícero, ganhe essa parafernália.
Este ano, votarei pela primeira vez e, logo de cara, votarei nulo! Isso mesmo, 007 – James Bond!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Nebulosidade


Céu nublado
Pintado de carmim
Quem sabe? Tenho até estrelas por vir...
Céu bonito, infinito
Do amor, o mais bonito
Sombras sem passado
Fluindo do avesso
E fez-se o pecado
E fez-se o embaraço
Confusão
Cinza
Frio
Arrepio
Num só instante
Um vazio
Sorrateiro, devagarzinho
De mansinho, bem no miudinho
Com pontinhas de luz, de uma falsa alegria
Trazendo tudo à tona, transformando-se rapidamente em nostalgia

Mansidão
Emancipação?
E quem sabe
Escuridão

domingo, 25 de março de 2012

Cotidiano de um pré-vestibulando


Os dias passam correndo. Voando? Quem sabe! Perde-se a noção do tempo. Vinte e quatro horas deveriam tomar forma de dobro, triplo... A respiração fica cansada. A cabeça mói. O corpo padece de sono. A vida pede mais, as pessoas pedem mais, você pede mais... Todos pedem mais de você, te sugam, querem extrair os mínimos e deixar teu corpo ali, ansiando uma tarde de sol, uma leitura desnecessária, uma visita inesperada.
Os livros tornaram-se os melhores amigos e os piores inimigos. O dicionário virou seu livro de cabeceira. Programas de TV foram trocados com uma facilidade dificultada pelos exercícios propostos a serem resolvidos. Os embalos de sábado à noite viraram ardência nos olhos.
Exaustão sem emoção. Quase um robô no modo automático em busca da realização plena. Eis aqui o objetivo de um pré-vestibulando: tudo por um fim nada dramático.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Do nada é que se faz o tudo


Desde o começo até o fim, tudo sempre foi muito simples. Seja uma música, uma batida qualquer ou uma palavra. Um voo em pensamento, uma abstração para imaginar o desconhecido, o precisamente necessário. Para você, para mim, sempre vai variar de ser para ser. Sem ser, sendo ao extremo, com vontade e sofrendo por fazer parte. Sofrer sempre fez parte, e nunca mudará isso. Um vento fraco ou uma brisa forte, com opostos em todo o meio, todo o tempo. Algo que chame a sua atenção, quer que seja sua reação, seja grandioso ou não. E em rimas dispersas, sem versos, sem pressa, a coisa toda acontece. Um passo a mais, um abraço apertado, um sorriso largo e folgado como calças de um malandro. Malandro de mão no pandeiro, mão no ritmo e pensamento no corpo de uma puta, de uma disputa com o seu ego singelo. Qualquer que seja seu pensamento, seu livramento, seu isolamento de qualquer espaçamento... Um coração, um afago inesperado ou até mesmo uma briga. Um amor para chamar de seu, seja quem for, seja como for. Que seja! Apenas seja! Desde o começo até o fim, tudo sempre foi muito simples. Felicidade sempre foi muito simples.