quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Crise existencial

Aos amigos Anna Carolina e Ennylson,
 por instigarem o nascimento desse poema durante nossas conversas.


Tudo
Nada

Dentro
F                              o                                  r                             a

Melancolia
Devaneio

Sabedoria
Anseio

Alegria
Desespero

Eu quero.


Ou não.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Ser-hei

Não sei por que choro.
Sei por que clamo.
E até sei por que choro.
Mas não sei por que(m) clamo.
Não sei se eu chamo.
Sei por que(m) chamo.

Só sei e de nada sei ou sou.
E isso me mata.
Incógnitas me matam.
Sou uma incógnita.
Todos são uma:
e isso me mata.

domingo, 3 de novembro de 2013

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Injustiça

Será que agora
A bala da vez
Será (para) comprar o carro do mês
Colocando tudo à prestação
E pagar de burguês
Para que todo o esforço do ganha-pão
Não seja levado no busão?

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Receita de proteção para a água

Ingredientes:

1- Uma dose de compromisso com a água;
2- uma pitada de cuidado com a água;
3- uma caixinha de carinho com a água;
4- cinco colheres de amor com a água;
5- dez colheres de solidariedade com a água.

Modo de fazer:
Misture todos os ingredientes e tenha mais compromisso, cuidado, carinho, amor e solidariedade com a água. Não desperdice nenhum ingrediente.

Modo de servir:
Sirva a água para todas as pessoas que estiverem com sede.

Islânia Cruz

sábado, 19 de outubro de 2013

A falta da fala que não falta

A falta é que me (co)nso(me)
Me come
Me canso
A falta da fala é que me (co)nso(me)
Me some
Me sumo
A fala é que me (co)nso(me)
Me soma
Em sumo

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A capa da invisibilidade não é mais fútil no escuro.

Quando crianças, temos medo do escuro, pois ele nos reserva os maiores monstros que podem se infiltrar no imaginário humano. Acaso serão os nossos próprios monstros? Quando crianças, não temos consciência disso, mas hoje sabemos perfeitamente do que se trata. Os monstros são os medos, os monstros, os desastres, a feiura e toda a saliva ruim. Ah, quem dera poder mudar isso, deixar tudo em luz, tudo em fugaz, tudo em paz.
Mas não. Isso não! O acaso, a escuridão... Nela sei quem sou, conheço a verdade, sou capaz de me testar e saber se eu mesma consigo me suportar. Maldito d’aquele que não consegue se suportar. Dentro da imensa negritude, posso me desdobrar: não tem ninguém me vendo mesmo! Posso sentir o prazer e a dor benigna de tocar meus erros passados, sem sentir pena de mim mesma pelos sofrimentos causados. Posso ir anos-luz, sem que ninguém me perceba, sem que ninguém dê conta de mim. A capa da invisibilidade não é mais fútil no escuro.
Se perder quem sabe é o melhor caminho que há dentro da escuridão. Seus pensamentos são todo um mundo. O ser humano é uma máquina perfeita! Máquina de costura, de desenho, de moer... Remoer – tudo o que ficou pela metade; costurar – os rasgos que o coração possui; desenhar – toda e qualquer forma que se tenha vontade; e pintar - com cores, todas as formas conseguidas, pois tudo tem sua cor, até mesmo a negritude. O negro é o introspecto. As páginas estão em branco, e todos os tecidos fomos nós quem fizemos. Portanto, somos responsáveis por nem tudo. O destino sempre nos revela lados ocultos, pessoas maléficas e situações tenebrosas. É quase uma prova de fogo, mas sem o fogo.
E em meio ao voo surge a descoberta. Em meio aos conflitos, surge a força. Em meio a si, surge tudo que se possa alcançar. Afinal de contas, o escuro não é tão mau assim.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Sobre copa, vandalismo e outros ma(i)s.

Sabe aquele vandalismo que os hipócritas, não sonhadores ou recalcados por assim dizer? É... Não sabe. Ninguém sabe. Não teve.
      Sabe tudo isso que está acontecendo no Brasil? Ônibus depredado, ruas em chamas, pessoas sangrando? Não sabe. Ninguém sabe. Não teve.
Sabe aquele barulho de spray ou de bala não letal? ? É... Não sabe. Ninguém sabe. Não teve.
Sabe aquele policial entregando água para os manifestantes? É! Não sabe? Nós, pessoenses, sabemos. Aqui teve! Aqui foi, até agora o único lugar exemplo para o Brasil! Por isso, muito me intriga saber que isso não está sendo espalhado aos quatro cantos.
Entretanto, muita coisa aqui não teve. Pelo menos da hora que eu participei (18h) até o final, não senti energia, não senti união. Tinha a vontade, tinha 22 mil pessoas, mas alguma coisa faltou. Não sei detalhar o que faltou, mas faltou.
Além disso, senti falta da multidão qual faço parte no Carnaval. Por que não hoje? Por que não em outra vez? Sempre acreditei que poderia fazer algo pelo mundo. Sempre acreditei no poder do povo e, agora ele estando desperto, não vamos decepcionar a nós mesmos. Vamos continuar o que foi tão difícil de iniciar.
É dinheiro de mais e retorno de menos. É roubo de mais e visão seletiva pra isso. É estádio com cadeiras confortáveis enquanto alunos não têm condições mínimas de permanecer numa escola. É erro de mais, atitude de” menas”. Acredito que Ronaldo não estava equivocado quando disse que Copa do Mundo só era feita com estádios. Jamais! Ele, apenas do comodismo de sua ignorância e da sua “pseudo crença” afirma que o dinheiro é bem distribuído para todas as necessidades dos brasileiros. Afirma porque não depende da precariedade do SUS, do busão lotado e sujo. Não vê as ruas alagadas nos dias de chuva ou corre o risco de ser assaltado porque não tem segurança no seu bairro. Pensando bem, discutir palavras de um sujeito desses nem vale a pena. Vergonha de um dia ele ter “representado” meu país.
“Não tá certo o que eles fazem com a nossa saúde, com o nosso dinheiro, com a nossa educação!” Os problemas são imensos, mas estou feliz. Começou uma luta e tenho a consciência de que nem eu nem meus amigos estamos inertes. Ninguém mais favorece Newton. Não podemos parar à medida que as lufadas de vento aqui, ao término do protesto, são as marcas da violência lá. 
E quem não pode ir às ruas, manda pensamentos positivos pra conseguirmos limpar essa merda toda.


Não podemos “mudar”! 

domingo, 3 de março de 2013

O começo de nossas vidas é agora.


E meu dia de sexta terminou de uma forma que jamais conseguirei explicar. Terminou não. Começou! Com um resultado desses, a farra na mente iria apenas começar!
O tão sonhado e esperando resultado da UFPB chegou e com ele, só alegria. Não estava preocupada apenas por mim, mas sim pelos meus amigos. Vê-los aflitos com algo e não poder ajudar não é das melhores coisas.
Com aquele resultado (no qual fui aprovada novamente!) um filme passou na minha cabeça. Dos dias, das horas de sufoco, das notas baixas e das lágrimas que, não só eu, mas muitos amigos deixaram rolar junto comigo. Dos seminários bem-sucedidos e dos péssimos, das discussões (a gente só faltava se “pegar lá na esquina”), dos professores, dos dias de fome na sala, do desânimo persistente, do cansaço sem fim, enfim. Um longo e intenso filme que foi reproduzido em minha mente durante aquele resultado.
Pude ter a sorte de dar a boa notícia a três amigos meus. Isso foi uma das sensações mais inexplicáveis. Sentir o alívio da outra pessoa do outro lado do telefone, a surpresa, as lágrimas...
Por fim, parabenizo aqui a todos, mas em especial aos que estiveram presente comigo durante aquele filme e agradeço por isso. Agradeço por lembrar-me de que nunca estive só, que essa é uma vitória de amigos, pais, professores (os melhores eu tive!), namorado, conhecidos que sempre torceram... E se a situação só vai piorar daqui adiante, que nunca nos esqueçamos da emoção que foi conseguir algo que muitos querem, mas poucos conseguem. Isso não vai nos deixar desanimar. O começo de nossas vidas é agora.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sem mais.

Tudo o que eu não falo só pode sair em verso, prosa e coisa e tal.
Tudo o que eu não falo só sai em desabafo com meu todo e qualquer papel.
Tudo o que eu não falo se desdobra e amarga como fel.
Tudo o que eu não falo só pode sair em verso, prosa e coisa e tal.

domingo, 13 de janeiro de 2013

"Deixa eu dizer o que penso desta vida"


E eu me perguntei várias vezes qual o problema que habitava em mim para as pessoas olharem, conversarem e simplesmente depois esquecerem até que me viram. Talvez o problema seja em mim mesmo. Só que é mentira. O problema de as pessoas não observarem o mínimo de bom que eu tenho a oferecer de braços abertos, o mínimo de mim, é inteiramente delas. Como as pessoas não lembram isso ao me ver?
E eu me perguntei várias vezes qual o problema que habitava em mim para eu me decepcionar tanto. E ele não é exatamente um problema, mas uma virtude. É dar sempre de bom grado a todos, tratar a todos por igual e simplesmente ver que o mundo não merece a minha bondade. Mas, de tão doente que ele está, acaba por merecer, rasgado de amor.
E eu vou me perguntar ainda várias vezes e tantas outras coisas. Mas vou me perguntar por que simplesmente sou mula empacada.
(Empacada na ideia.
Empacada no amor.
Empacada nos bons fluidos.
Empacada nos ensinamentos de uma luz, de um anjo.)
Sempre soube as respostas. O problema é das pessoas, do desamor que elas fazem reinar no mundo.
Definitivamente, o problema nunca foi meu.