o ônibus não passa,
mas a vida passsssssssssa nele.
e você nem percebe.
sonhoscomdevaneios
Seja qual for o caminho que eu escolher, um poeta já passou por ele antes de mim. (Sigmond Freud)
domingo, 31 de janeiro de 2016
domingo, 25 de maio de 2014
Disagree
Agricultura não é somente o cultivo de grãos.
Agricultura é o cultivo da agressão:
agressão da pele, do corpo, da idade
que não suporta mais o peso da enxada
- e nem mesmo a puxada do próprio peso;
- e nem mesmo a puxada do in-amigo agreste.
Agricultura não é somente o cultivo de grãos.
Agricultura é injustiça, é dis-"paridade" de poder aquisitivo:
materializa a fadiga de quem já nasceu fadigado
e desmaterializa a fome do homem dito civilizado.
(e usado.)
Agricultura, por incrível que apareça o sol a pino, é a vida
de quem sabe (se) fazer no ser-tão.
sábado, 3 de maio de 2014
Ausência que não se ausencia
Um
mês depois e sua ausência não se faz ausente.
Lembro-me
do dia que você chegou. Eu era pequena, mas essas lembranças ficaram em minha
mente. Era noite. Você chegou durante a noite e eu me lembro da discussão que
foi para decidir o seu nome. Por fim, minha mãe resolveu por motivos óbvios que
você seria Malhado.
Você
chegou a minha casa quando eu tinha sete anos. Passou muitas fases da minha
vida comigo, “vira-lata”. Vira-lata que nunca virou uma lata em nossa casa.
Você
virava as nossas mentes com a preocupação de não deixar o portão aberto para
você não sair correndo como um louco pelo meio da rua e de sempre verificar se
a grade estava fechada quando chegava alguém em nossa casa.
Arisco
para os desconhecidos, dócil para os conhecidos. Em tempos de chuva, você se
enrolava no lençol e deitava em sua casinha. Em tempos de calor só queria
deitar-se à sombra. Nunca comeu nada que não fosse comestível. A propósito, espero
que você tenha perdoado as vezes que eu me esqueci de colocar a sua comida.
Você
virou os nossos corações com alegria ao cavar no quintal, ao deitar com as
patas para cima quando queria coçar as costas e a correr quando a gente queria
te dar banho. No que diz respeito a esse quesito, você se parecia mais com um
gato.
Todos
os dias eu me lembrarei de você. Lembrarei que eu separava o fim da minha
comida para você. Hoje não posso fazer isso. Lembrarei que, junto com meus pais,
você me esperava chegar das festas: meus pais no quarto enquanto você estava no
jardim. Agora eu tenho medo quando chego de madrugada: quem vai me proteger?
Você
foi inteligente o suficiente para me avisar que sua hora estava chegando e para
ir enquanto todos morriam a morte de oito horas do cotidiano. Não vi o seu
último suspiro e ainda respiro como se você estivesse comigo. Isso só me faz
pensar que, por mais que a esperemos, a morte nunca vai ser aceita, embora seja
a única certeza da vida. Além disso, ela vai te dar a sensação de que você
jamais conseguiu ser o suficiente.
Você
esteve ao meu lado durante doze anos. Não importa quantos textos eu consiga extrair
de mim. Eles sempre serão acompanhados de água com cloreto de sódio. Eles sempre
serão nada comparados a você.
Quando
chegou, você me virou em amor. Quando se foi, me virou em saudade.
domingo, 12 de janeiro de 2014
Sociedade capituosa, sociedade preconceitalista
A cadeira vive
como os homens desejam
(pedem, incitam, fantasiam)
Mas nem por isso
Sua essência se corrompe.
A cadeira mora
onde os homens desejam
(pedem, incitam, desejam)
Mas nem por isso
Sua essência se confunde.
A cadeira é...
A cadeira sou eu
É você
Qualquer um
Ou simplesmente ninguém.
A cadeira é
um objeto cumprindo seu status quo.
A cadeira é um objeto.
Seres humanos também são cadeiras.
como os homens desejam
(pedem, incitam, fantasiam)
Mas nem por isso
Sua essência se corrompe.
A cadeira mora
onde os homens desejam
(pedem, incitam, desejam)
Mas nem por isso
Sua essência se confunde.
A cadeira é...
A cadeira sou eu
É você
Qualquer um
Ou simplesmente ninguém.
A cadeira é
um objeto cumprindo seu status quo.
A cadeira é um objeto.
Seres humanos também são cadeiras.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Crise existencial
Aos amigos Anna Carolina e Ennylson,
por instigarem o nascimento desse poema durante nossas conversas.
Tudo
Nada
Dentro
F o r a
Melancolia
Devaneio
Sabedoria
Anseio
Alegria
Desespero
Eu quero.
Ou não.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
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