Um
mês depois e sua ausência não se faz ausente.
Lembro-me
do dia que você chegou. Eu era pequena, mas essas lembranças ficaram em minha
mente. Era noite. Você chegou durante a noite e eu me lembro da discussão que
foi para decidir o seu nome. Por fim, minha mãe resolveu por motivos óbvios que
você seria Malhado.
Você
chegou a minha casa quando eu tinha sete anos. Passou muitas fases da minha
vida comigo, “vira-lata”. Vira-lata que nunca virou uma lata em nossa casa.
Você
virava as nossas mentes com a preocupação de não deixar o portão aberto para
você não sair correndo como um louco pelo meio da rua e de sempre verificar se
a grade estava fechada quando chegava alguém em nossa casa.
Arisco
para os desconhecidos, dócil para os conhecidos. Em tempos de chuva, você se
enrolava no lençol e deitava em sua casinha. Em tempos de calor só queria
deitar-se à sombra. Nunca comeu nada que não fosse comestível. A propósito, espero
que você tenha perdoado as vezes que eu me esqueci de colocar a sua comida.
Você
virou os nossos corações com alegria ao cavar no quintal, ao deitar com as
patas para cima quando queria coçar as costas e a correr quando a gente queria
te dar banho. No que diz respeito a esse quesito, você se parecia mais com um
gato.
Todos
os dias eu me lembrarei de você. Lembrarei que eu separava o fim da minha
comida para você. Hoje não posso fazer isso. Lembrarei que, junto com meus pais,
você me esperava chegar das festas: meus pais no quarto enquanto você estava no
jardim. Agora eu tenho medo quando chego de madrugada: quem vai me proteger?
Você
foi inteligente o suficiente para me avisar que sua hora estava chegando e para
ir enquanto todos morriam a morte de oito horas do cotidiano. Não vi o seu
último suspiro e ainda respiro como se você estivesse comigo. Isso só me faz
pensar que, por mais que a esperemos, a morte nunca vai ser aceita, embora seja
a única certeza da vida. Além disso, ela vai te dar a sensação de que você
jamais conseguiu ser o suficiente.
Você
esteve ao meu lado durante doze anos. Não importa quantos textos eu consiga extrair
de mim. Eles sempre serão acompanhados de água com cloreto de sódio. Eles sempre
serão nada comparados a você.
Quando
chegou, você me virou em amor. Quando se foi, me virou em saudade.

Nossa Ingrid, me emocionei de verdade lendo teu o texto. Sei como é feliz a vida de quem tem um amigo assim por perto. Eu tenho duas, uma delas está bem doente ( e por sinal, parece bastante com Malhado), não gosto de pensar na ida de Safira, mas é inevitável e quando penso me emociono bastante, ela tem um latido estridente, mas é muito dócil, meiga mesmo.
ResponderExcluirEu tenho certeza que Malhado te fez muito feliz, assim como Safira me faz :).
Sinto muito por Malhado :'(.
Ass: Cíntya Regina